segunda-feira, 22 de abril de 2013

Brasileiro é preso acusado de atirar pedras em soldados israelenses

O adolescente Majd Hamad, de 15 anos, filho de uma brasileira e que vinha sendo procurando pelo Exército israelense sob acusação de jogar pedras contra as tropas, se entregou neste domingo em uma delegacia de polícia na Cisjordânia.

Acompanhado pela mãe, Najat Hamad, que nasceu em Goiás, e pelo ministro-conselheiro do escritório de Representação do Brasil em Ramallah, João Marcelo Soares, ele chegou pela manhã ao posto policial Binyamin, perto de Ramallah.

Após cerca de uma hora de interrogatório, durante o qual as autoridades não permitiram a presença da mãe ou do diplomata, Majd ficou detido no local e, de lá, deverá ser transferido para a prisão de Ofer.
De acordo com a mãe, "quando saiu do interrogatório, estava muito nervoso e com olhos vermelhos, mas não me deixaram falar com ele".
O adolescente é acusado de jogar pedras contra soldados israelenses durante uma manifestação no dia 11 de abril, nas proximidades do vilarejo de Silwad, onde mora.
Najat Hamad, nascida na cidade de Anápolis, afirma que seu filho não participou da manifestação em questão.
"Naquele dia, eu e meu marido decidimos não deixar Majd sair de casa, pois a situação estava tensa em Silwad, depois que colonos de um assentamento próximo espancaram um agricultor palestino", disse a mãe à BBC Brasil.
Segundo o porta-voz do Exército israelense, capitão Barak Raz, "o Exército não prende ninguém à toa. Se foi preso, é sinal de que há provas contra ele", disse citando a possibilidade de haver vídeos, fotos ou depoimentos envolvendo o nome do adolescente.

Buscas

De acordo com o relato da mãe, soldados israelenses invadiram a casa da familia às 2 horas da manhã do sábado (13).
"A familia inteira estava dormindo quando ouvimos batidas muito fortes na porta", disse a brasileira. "Minha filha de 13 anos foi abrir e se deparou com um grupo de soldados com fuzis apontados para a cabeça dela."
"Eles entraram rapidamente e começaram a revistar a casa. Reuniram a nossa família na sala e começaram a procurar nos quartos", disse a mãe.
"Eu tinha certeza de que eles estavam procurando meu marido e fiquei muito surpresa quando um dos soldados me disse que vieram prender Majd."
"Eu disse a ele que Majd tinha ido dormir na casa de parentes e que ele é muito pequeno, só tem 15 anos", afirmou.
Ao fim da operação de busca, a mãe prometeu aos militares que entregaria seu filho às autoridades israelenses neste domingo.

Fiança

O diplomata brasileiro João Marcelo Soares, que acompanhou a apresentação do adolescente à delegacia, disse à BBC Brasil que "as autoridades israelenses me informaram que os interrogatórios ainda estão em curso e, ao final, haverá uma decisão sobre o pedido de libertação sob fiança".
"Caso o pedido seja negado, amanhã (segunda-feira), os menores serão levados a um tribunal militar, que deverá reconsiderar o pedido", acrescentou.
Majd Hamad foi preso juntamente com mais quatro colegas da mesma classe, todos de 15 ou 16 anos.
Sua mãe, Najat Hamad, que mudou-se para a Cisjordânia há 17 anos, disse que "não esperava que aqui prendessem crianças desse jeito".
"O que são pedras diante das metralhadoras e dos veículos blindados do Exército israelense?", perguntou.
O Exército israelense define o lançamento de pedras como "atentados terroristas que podem matar".

Unicef

Em março, o Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) publicou um relatório acusando Israel de violar os direitos de crianças e adolescentes palestinos presos.
O relatório afirma que "menores de idade palestinos detidos por militares israelenses são sujeitos a maus tratos que violam a lei internacional".
De acordo com o Unicef, a cada ano cerca de 700 menores palestinos, entre 12 e 17 anos, são interrogados e detidos pelo Exército, pela polícia e por agentes de segurança de Israel.
Segundo o presidente da Associação dos Prisioneiros Palestinos, Kadura Farez, atualmente há cerca de 200 menores palestinos presos em cadeias israelenses.
Farez disse à BBC Brasil que, nas cadeias israelenses, os menores "têm o mesmo tratamento que os adultos, não há prisões especiais para as crianças".

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Injeções com substância desconhecida são aplicadas em presos palestinos antes de serem libertados

Segundo o ministro de Assuntos sobre os Prisioneiros, muitos deles morrem após sair da prisão


(com informações da Maan News Agency)
O jornal russo "Pravda" disse nesta sexta-feira (19) que as autoridades de ocupação israelenses estão injetando em prisioneiros palestinos, ao fim de suas sentenças, injeções contendo vírus perigosos que leva à morte depois de um tempo.
O ministro de Assuntos dos Prisioneiros, Issa Qarage, afirmou em entrevista para a Agência de Notícias Maan que testemunhas revelaram o procedimento de injetar em  prisioneiros substância desconhecida antes de serem libertados.

Qarage disse que não há nenhuma prova oficial sobre este assunto, mas há testemunhos de prisioneiros libertados que relatam o que aconteceu com eles e as complicações de saúde que tiveram após a libertação, afirmando que o serviço  prisional  injetou neles conteúdo desconhecido.

O jornal russo apontou que as injeções contêm  vírus que provocam câncer de próstata e câncer de fígado crônica, agressivos que levam à morte.
O ministro ainda acrescentou  que mais de um prisioneiro declarou a injeção desconhecida antes da libertação da prisão, que foram tratados por médicos treinados, e isso é uma prova clara de negligência e descaso intencional pela vida dos prisioneiros palestinos.
No mesmo contexto, disse Qaraqe que o governo e o Ministério dos Prisioneiros exigiram da comunidade internacional que sejam criadas comissões de inquérito para averiguar as condições dos prisioneiros em prisões israelenses. Uma organização do tipo foi formada pela União Europeia em 2010, mas a ocupação israelense impediu a entrada desses comitês nas prisões.
Qaraqe disse que o prisioneiro  Mohammed Taj, libertado na quinta-feira, e que segue em estado de crítico de saúde, é um exemplo vivo do sofrimento de prisioneiros doentes em cadeias israelenses. Segundo o ministro, o número de presos adoecidos chega a mais de 1.000 prisioneiros, e ele pede a comunidade internacional que pressione Israel para que os presos sejam libertados.
Vale lembrar que muitos prisioneiros foram mortos logo após finalizar a sentença e serem libertados.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Eu apoio os prisioneiros, mesmo que isso custe a minha liberdade.

Em homenagem ao Dia dos Prisioneiros Palestinos, a Addameer reforça que agora é o momento de manter a responsabilidade da ocupação por crimes contra os presos e detidos, e lança uma campanha mundial contra a detenção administrativa.
Ocupado Ramallah, 17 de abril de 2013
No Dia dos Prisioneiros Palestinos, a Addameer reafirma seu compromisso de luta pela liberdade dos prisioneiros e detidos palestinos nas prisões da ocupação. A Addameer reafirma que a causa dos presos é a causa do povo palestino como um todo, e que sua luta é fundamental para a libertação da terra palestina e o retorno de seu povo a terra que lhe pertence. A luta representa a primeira linha de paz e justiça.
Desde a ocupação da Cisjordânia e de Gaza em 1967, houve mais de 750 mil detenções de palestinos, número que representa 20% da população palestina dos territórios ocupados (incluindo os territórios de 1948, Gaza e Cisjordânia), 40% da população masculina e 10.000 mulheres.
Desde a Segunda Intifada, que se deu em setembro de 2000, as forças de ocupação prenderam 78.000 palestinos, entre eles 950 mulheres, mais de 9.000 crianças e mais de 50 ministros e membros do Conselho Legislativo Palestino (CLP). Desde 1967, as forças de ocupação emitiram mais de 50 mil ordens de detenção administrativa (ambos novos pedidos e renovações), 23 mil deles emitidos depois de Setembro de 2000.
De acordo com novos dados divulgados em abril de 2013, as forças de ocupação detiveram 4.900 palestinos, incluindo 14 mulheres, 236 crianças e 168 detidos administrativos, incluindo oito membros do CLP. Estes números incluem 183 civis de Jerusalém, 190 palestinos dos territórios de 48 e 433 da Faixa de Gaza. Cerca de 530 deles têm sentenças de prisão perpétua e mais de 77 seguem encarcerados há mais de 20 anos. Vinte e cinco desses prisioneiros passaram mais de 25 anos na prisão e 105 foram presos antes do acordo de Acordos de Oslo, em setembro de 1993.
Como resultado de procedimentos de tortura, negligência médica deliberada, assassinato ou espancamento 204 palestinos foram mortos nas prisões da ocupação. Desde 1 º de janeiro de 2011, cinco presos foram mortos em prisões israelenses. A data de 1º de janeiro de 2011 coincide com a assinatura de um acordo entre o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e o Serviço Prisional de Israel (IPS, em inglês) para reduzir a prestação de serviços médicos por parte do CICV aos prisioneiros doentes, bem como para diminuir as contribuições financeiras do CICV aos médicos, permitindo assim que os IPS comande as tarefas, fornecendo o tratamento aos presos e detidos sob custódia israelense.
Dados de organizações que trabalham em defesa de prisioneiros palestinos indicam que mais de mil presos e detidos sofrem com várias doenças. Entre eles estão 16 presos que residem na Clínica da Prisão Ramleh permanentemente. Atualmente, 85 presos sofrem deficiências variadas, 170 prisioneiros necessitam de cirurgia urgente e 25 prisioneiros sofrem de câncer.
Hoje, a luta continua enquanto quatro prisioneiros palestinos em greve de fome assumem graves riscos de saúde. Especialmente em risco, segue em greve de fome o prisioneiro Samer Issawi, que está em greve há mais de 262 dias, em protesto contra a nova detenção nos termos do artigo 186 da Ordem Militar 1651. Junto com ele está Ayman Abu Daoud, que anunciou sua greve de fome em 14 de abril de 2013; ele foi preso novamente depois de ganhar sua liberdade na última troca de prisioneiros. Continuando sua greve de fome segue também Younis Huroub, que está protestando contra a política de ocupação de detenção administrativa, bem como detento Samer Al-Barq, que começou a sua terceira greve de fome em protesto contra sua detenção administrativa continuada. Todas as suas vidas estão em perigo.
Estes fatos levam-nos a concluir que as políticas de detenção da Ocupação – especialmente a detenção administrativa - representam uma das muitas formas de punição coletiva contínua e sistemática praticada pela ocupação, bem como algumas das flagrantes violações da 4 ª Convenção de Genebra. Essas violações constituem crimes de guerra e crimes contra a humanidade, de acordo com o Estatuto de Roma, que fundou o Tribunal Penal Internacional.
A prisão, portanto, é uma das muitas políticas da ocupação, que tem como objetivo a limpeza étnica dos palestinos, a supressão da sua identidade cultural e a violação dos seus direitos políticos, todos com o intuito principal de remover os palestinos da história de uma vez por todas.
A Addameer acredita que o compromisso político resultante dos Acordos de Oslo, em 1993, em vez de acabar com a ocupação, consolidou ainda mais o Estado ocupante, que agora governa a Cisjordânia, com base em1,7000 ordens militares que controlam todos os aspectos da vida dos palestinos. Os Acordos de Oslo assegura, dessa forma, que os palestinos vivam sob imposições israelenses, sem a possibilidade ou suficiência para que exista um governo próprio, independente, e não conseguiu garantir a libertação dos prisioneiros palestinos das prisões da Ocupação. Mais importante ainda, o Acordo de Oslo renunciou ao palestino o direito de considerar o estado da ocupação responsável pelos crimes que cometeu.
Addameer acredita que agora é o momento certo para mudar de rumo, terminando este período de aquiescência e submissão. É hora de parar de usar a questão dos prisioneiros como uma motivação para voltar à mesa de negociação, a mover-se após a prestação de assistência jurídica aos presos e detidos e trazer novamente à tona o direito dos prisioneiros serem libertados imediatamente. É hora de posicionar a ocupação como responsável no Tribunal Penal Internacional e em países que respeitam a jurisdição da lei internacional. Estes esforços devem ocorrer em conjunto com um trabalho sério em boicote, desinvestimento e sanções contra o Estado ocupante. Finalmente, é hora de um boicote dos tribunais militares da Ocupação, audiências sobre detenções e, especialmente, as administrativas.
A Addameer apela a organizações palestinas de direitos legais e humanos para:
* Boicotar os tribunais militares, as audiências sobre detenção, especialmente administrativas.
* Intensificar os esforços conjuntos para promover ação legal internacional contra o estado de ocupação, utilizando os mecanismos previstos pela Organização das Nações Unidas e as comissões de direitos humanos.
* Melhorar os esforços conjuntos para expor os crimes das forças especiais israelenses nas sessões do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas e as Comissões de Revisão Periódica Universal.
* Envolver-se em esforços de advocacia para o boicote e desinvestimento do estado de ocupação, tanto dentro da Palestina como internacionalmente.
* Estabelecer um banco de dados eletrônico com imagens, vídeos e materiais escritos destacando depoimentos de vítimas de tortura entre os prisioneiros e detidos palestinos.
A Addameer faz as seguintes recomendações para as organizações internacionais:
* Addameer apela ao secretário-geral Ban Ki-moon da ONU a trabalhar seriamente para forçar o estado de ocupação a respeitar os seus compromissos com base na sua participação nas Nações Unidas e sua adesão à 4 ª Convenção de Genebra, bem como a sua ratificação das convenções de direitos humanos. Addameer apela a Ban Ki Moon para assegurar a aplicação destes acordos em território palestino ocupado, especialmente nos casos de palestinos detidos e presos. Apela também a Ban Ki Moon para trabalhar seriamente pela libertação de todos os presos administrativos, crianças, doentes, prisioneiros e membros do Conselho Legislativo Palestino atualmente sob custódia israelense.

* Addameer insta a Comissão de Direitos Humanos da ONU para forçar o estado de ocupação a permitir o acesso internacional e comissões de investigação para as prisões, para se averiguar as condições enfrentadas pelos prisioneiros. Addameer pede ao Conselho de Direitos Humanos da ONU que iniciem uma investigação séria sobre as denúncias de detidos e prisioneiros palestinos, especialmente aqueles relacionados aos crimes cometidos pelas forças especiais dos IPS.
* Addameer insta a Comissão Internacional da Cruz Vermelha para levar a cabo sua missão de proteger os detentos, de acordo com o seu mandato internacional para garantir o tratamento humano dos prisioneiros e detidos em conformidade com o direito internacional humanitário.
Neste Dia dos Prisioneiros, a Addameer relança a campanha contra a detenção administrativa internacionalmente, divulgando a causa em mais de 70 países. A campanha inclui manifestações e ações em várias cidades em todo o mundo. Addameer preparou fichas e relatórios legais detalhados em mais de 12 idiomas para ajudar na divulgação de informações sobre a prática prisional da Ocupação e da detenção administrativa.
Em homenagem ao Dia dos Prisioneiros Palestinos, dizemos ao nosso povo e aos nossos prisioneiros assim como nosso colega Ayman Nasser, que foi detido em 15 de outubro de 2012, disse uma vez:
 http://www.addameer.org/

"Eu apoio os prisioneiros, mesmo que isso custe a minha liberdade."
Enviando seu apoio informando profissão e cidade e estado para e-mail.

cspp.palestina@hotmail.com
 


terça-feira, 16 de abril de 2013

CAMPANHA PELO FIM DAS PRISÕES ADMINISTRATIVAS NA PALESTINA


Detenções israelenses e práticas de encarceramento: Desde o início da ocupação sraelense nos territórios palestinos, em 1967, mais de 750.000 palestinos foram detidos pelo exército israelense. Este número representa aproximadamente 40% do total dos homens no território palestino ocupado.

Prisão administrativa: Prisão Administrativa é uma prática utilizada por Israel para deter palestinos sobre ordens de detenção que variam de um a seis meses, renováveis indefinidamente. As ordens de detenção são baseadas em informações secretas que nem o detento ou seu advogado tem acesso. A prisão administrativa é frequentemente usada quando não existem provas suficientes para submeter palestinos sob qualquer uma das ordens militares que Israel usa nos territórios da Cisjordânia.

Prisão administrativa indefinida: Prisão administrativa indefinida viola o direito internacional, que estipula que a detenção administrativa - detenção, ordenada pelo executivo, e não por ordens judiciais - só pode ocorrer em situações de emergência, caso em que haja ameaças reais e imediatas para a segurança do Estado, as quais não podem, por definição, ser indefinidas. O palestino detido por mais tempo sob prisão administrativa, Mazen Natsheh, passou cumulativamente quase 10 anos e meio em prisão administrativa, desde 1994.

Prisão administrativa em números: O uso da detenção administrativa na Palestina tem aumentado desde o início da Segunda Intifada, em 2000. Pouco antes do início da Intifada, Israel mantinha em detenção administrativa 12 palestinos. No início de março de 2003, mais de mil palestinos estavam sendo mantidos neste tipo de prisão. Entre 2007 e 2011, 8.157 ordens de detenção administrativa foram emitidas por Israel. Em fevereiro de 2013, havia 178 palestinos detidos administrativamente sob custódia israelense, em prisão administrativa, incluindo nove membros do Conselho Legislativo Palestino.

Detenção Administrativa & interrupção do processo democrático palestino:

A prisão administrativa também foi usada por Israel como forma de atingir candidatos palestinos eleitos democraticamente, especialmente aqueles do “Bloco de Mudança e Reforma”, que é considerado pró- Hamas, mas inclui membros independentes e não-muçulmanos. Até 2009, quase um terço dos membros do PLC estavam sendo detidos pelos israelenses. Desde 2005, 20 membros do PLC foram detidos em prisão administrativa, dos quais seis foram submetidos a essa forma de detenção mais de uma vez. Todos os partidos políticos palestinos são considerados ilegais sob a lei militar israelense, tornando qualquer palestino ativo politicamente vulnerável a prisão.

III - Tratamento: detentos administrativos enfrentam várias formas de maus-tratos, incluindo

negligência médica, péssimas condições de aprisionamento, acesso limitado a advogado e visita familiar, e tortura.

Visitas Familiares: detentos administrativos recebem normalmente poucas, se alguma, visitas

familiares. As visitas são negadas às famílias, em geral, por ambíguas razões de “segurança". A visitação torna-se é ainda mais difícil em virtude do fato de que Israel mantém seus detidos em prisões e centros de detenção que se localizam dentro dos territórios de 1948 em contravenção ao artigo 76 da IV Convenção de Genebra, que proíbe a transferência de prisioneiros de territórios ocupados. Isso, conjuntamente ao sistema de permissões restritivo utilizado por Israel para controlar o movimento de palestinos, significa que muitas famílias não podem visitar seus familiares em prisão administrativa.

Tortura: As confissões obtidas sob tortura são admissíveis nos julgamentos militares israelenses e seus tribunais. Desde 1967, 72 presos morreram sob custódia como resultado de tortura. Sob a lei militar israelense, os detentos podem ser interrogados por até 60 dias sem acesso a um advogado, impedindo controles adequados dos métodos de interrogatório. Isto representa uma violação do direito internacional.

Aparato legal: Prisão administrativa, originalmente baseada nas Regulações (1945) de Defesa

(emergência) do Mandato Britânico, está autorizada tanto no direito interno de Israel, que é aplicado aos cidadãos israelenses que vivem em territórios de 1948 e para os 500 mil colonos ilegais que vivem na Cisjordânia, quanto na lei militar israelense, aplicada aos palestinos que vivem na Cisjordânia. Na prática, porém, a forma de prisão administrativa no direito interno de Israel é quase exclusivamente aplicado a palestinos que têm cidadania israelense, os quais são cerca de 20% da população de Israel e enfrentam discriminação sistemática sob a lei israelense.

Cumplicidade corporativa: Muitos dos centros de detenção e prisões onde os detentos são mantidos sob prisão administrativa utilizam os serviços da G4S, a maior empresa de segurança do mundo. A sociedade civil palestina pediu à comunidade internacional para boicotar, desinvestir e sancionar a G4S, como parte do movimento de BDS, a fim de responsabilizar a empresa pela sua participação em violações dos direitos humanos e do direito internacional.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Israel prossegue com a negligência médica sistemática contra presos palestinos em cárceres israelenses. A saúde dos prisioneiros em greve de fome continua em situação agravante


Ramallah Ocupada, 10 de Abril de 2013


Ziad Fares, um advogado da Associação Addameer em Defesa dos Presos e Direitos Humanos Associação participou recentemente de um encontro com o preso administrativo em greve de fome Samer Al-Barq (38 anos) na clínica da prisão Ramleh. O advogado confirmou que Al-Barq continua sua campanha de greve de fome, que começou em 27 de Fevereiro 2013, em protesto contra a renovação de uma ordem de detenção administrativa de três meses, emitida contra ele em 24 de fevereiro de 2013.

De acordo com Ziad, Al-Barq ingere apenas vitaminas, açúcar e água. Ele está sendo mantido em isolamento, tem tido problemas para se manter consciente, resultado de sua greve de fome, e seu estado de saúde é grave.

Al-Barq realizou três greves de fome durante os últimos dois anos, a mais recente aconteceu no período de 14 outubro de 2012 a 18 de Outubro de 2012, em protesto contra a sua detenção administrativa continuada, desde 11 de julho de 2010.

Durante a mesma visita à clínica da prisão Ramleh, Ziad também se reuniu com o prisioneiro Muhammad Al-Taj (41 anos), da cidade de Tubas, ao norte da Cisjordânia. A saúde de Al-Taj está em perigo, após um episódio de insuficiência pulmonar, e ele deve permanecer constantemente ligado ao oxigênio sem realizar nenhum esforço, para não agravar sua condição. Al-Taj atualmente ingere 12 comprimidos por dia, para manter sua condição estável. Mas as pílulas têm função paliativa, o que o deixa sem garantias de recuperação.

Al-Mahal foi transferido para o Hospital Mair em Kfar Saba há um mês, para realizar exames médicos, quando médicos constataram a necessidade de um transplante de pulmão e da realização de outros exames médicos. No entanto, o Serviço Prisional Israelense (IPS) ainda tem de responder às solicitações dos médicos para realizar esses procedimentos. Além disso, um médico de clínica da prisão Ramleh, teria informado ao advogado da Addameer que o IPS se recusa a cobrir os custos da operação.

De acordo com Ziad, o preso Al-Taj só dorme três horas por dia, em decorrência de sua doença e da dor. Sua saúde segue em estado extremamente precário, agravado pela negligência médica das autoridades israelenses.

Já entre fevereiro e março de 2012, Al-Taj havia realizado uma greve de fome de 67 dias, que terminou em 21 de Maio 2012, depois de fechar acordo com o IPS, segundo o qual ele seria tratado como um prisioneiro de guerra. A audiência foi programada  para 7 de abril de 2013, a ser realizada perante um tribunal, com o fim de considerar a redução de sua pena em um terço. Mas, a audiência foi adiada e seu estado de saúde segue em risco.

Younis Al-Huroub (31 anos), de Al-Khalil (Hebron), hoje entra em seu 50 º dia de greve de fome, em protesto contra a sua detenção continuada administrativa. A greve de fome, que começou em 19 de fevereiro de 2013, fez com que seu corpo se deteriorasse rapidamente.

Al-Huroub foi anteriormente detido por seis anos, de 2002 a 2008, é casado e tem dois filhos. Agora ele cumpre detenção administrativa, iniciada em 10 de julho de 2012, quando lhe foi dado uma ordem de prisão de seis meses, que foi, então, prorrogado por mais seis meses, poucos dias antes de sua ordem original ter expirado.

Advogados da Addameer ainda são proibidos de visitar o detento em greve de fome, Al-Huroub. Também não lhes são permitidas visitas ao prisioneiro Samer Al-Issawi, hospitalizado e em péssimas condições no Hospital Kaplan.

A Addameer renova o seu apelo ao Secretário-Geral das Nações Unidas e a todas as organizações internacionais para pressionar Israel, a potência ocupante, a liberar todos os presos administrativos em greve de fome, e atender às demandas dos presos para que a política da detenção administrativa seja extinta imediatamente. Addameer ainda apela à comunidade internacional para pressionar Israel a cumprir as suas obrigações como potência ocupante e prestar o atendimento médico adequado para todos os presos palestinos encarcerados atualmente em prisões israelenses. A Addameer também exige que medidas imediatas sejam tomadas para assegurar a libertação imediata do preso em greve de fome, Samer Al-Issawi, a fim de salvar sua vida.

O momento de agir é agora!

*A Addameer recomenda que sejam enviadas mensagens aos setores militares e políticos do governo israelense, exigindo a liberdade dos presos políticos palestinos em greve de fome nas prisões israelenses. Abaixo, a lista de organizações sugeridas pela Addameer:


  • Brigadier General Danny Efroni
    Military Judge Advocate General
    6 David Elazar Street
    Harkiya, Tel Aviv
    Israel
    Fax: +972 3 608 0366+972 3 569 4526
    Email: arbel@mail.idf.ilavimn@idf.gov.il
  • Maj. Gen. Nitzan Alon
    OC Central Command Nehemia Base, Central Command
    Neveh Yaacov, Jerusalam
    Fax: +972 2 530 5741
  • Deputy Prime Minister and Minister of Defense Ehud Barak
    Ministry of Defense
    37 Kaplan Street, Hakirya
    Tel Aviv 61909, Israel
    Fax: +972 3 691 6940 / 696 2757
  • Col. Eli Bar On
    Legal Advisor of Judea and Samaria PO Box 5
    Beth El 90631
    Fax: +972 2 9977326



  • terça-feira, 9 de abril de 2013

    Pesquisador alerta que 1070 cidadãos palestinos foram presos desde o início do ano


    O pesquisador responsável por assuntos dos prisioneiros, Abdul Nasser Farawana afirmou que "as forças de ocupação israelenses prenderam desde o início do ano 1070 cidadãos palestinos", revelando  "que houve um aumento de 8,4% no número de prisões registradas durante o primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado."

    Ele explicou que a ocupação intensificou também a prática de encarceramento de crianças durante os últimos três meses, contabilizando 234 crianças que foram detidas. Durante o mesmo período, no ano passado, foram detidas 200 crianças.


    Fonte da Noticia em árabe

    http://pflp.ps/news.php?id=4905

    quarta-feira, 3 de abril de 2013

    Segundo o Ministério dos Prisioneiros, há 25 casos de câncer entre os presos palestinos

    As informações revelam que as doenças se desenvolvem e são agravadas em decorrência de negligência médica

    Ramallah  1/4/2013 (com informações da WAFA) 

    O Ministério de Assuntos dos Prisioneiros e Libertados declarou  nesta segunda-feira (1) que a porcentagem das doenças malignas subiu entre os prisioneiros palestinos nos últimos anos, e que hoje há 25 casos decorrentes de negligência médica nas prisões israelenses.

    Um relatório divulgado pelo ministério disse que o surgimento de doenças malignas e tumores cancerígenos em prisioneiros são agravados por descuido médico uma vez que a maioria das doenças são descobertas muito tarde, depois de se espalhar descontroladamente pelo organismo dos detentos.


    O ministério confirma que as notícias geraram tensão entre os detidos, e que a situação piorou após a descoberta do câncer no pescoço e garganta do prisioneiro Maysara Abu Hamdia, que o colocou em perigo extremo de morte.

    O relatório acrescentou que 21 presos detidos na prisão Eichel entraram em campanha aberta de greve de fome desde o início da noite passada, em protesto contra a política prisional israelense de negligência médica, e para exigir a libertação dos  presos doentes, principalmente de Mayasara Abu Hamdiya. Outra situação que motivou a greve foram as agressões contra presos que foram algemados e colocados em celas individuais.

    A administração do serviço prisional  reconhece a existência de 25 casos de câncer entre os presos,
     entre eles estão:

    * O prisioneiro Mutassim Raddad (27 anos), residente da aldeia de Saida, distrito de Tulkarmt. Foi condenado a 25 anos de prisão e sofre de infecções decorrentes de tumores cancerígenos no intestino, hemorragia grave e contínua e dor intensa que provocou disfunções alimentares e anemia.

    Ele começou a se queixar de dor desde o princípio de sua prisão, em 2006, e não foram realizados os exames necessários para o início do tratamento, agravando a degradação de sua saúde. Recentemente foi tratado com quimioterapia e analgésicos, e segundo os médicos sua doença tem poucas chances de recuo.


    O prisioneiro afirmou ao advogado do ministérios que os médicos o orientaram a fazer uma cirurgia para remoção de todo o intestino, mas por falta de garantias de sucesso, ele desistiu e recusou passar pelo processo cirúrgico.

    * O prisioneiro Amer Mohammed Bahr (31 anos),  morador de Abu Dis. Foi condenado a 10 anos e sofre com tumores malignos e dor aguda no intestino e cólon. A administração prisional demorou dois anos para iniciar o tratamento, permitindo o desenvolvimento acelerado das infecções.
    De acordo com o prisioneiro, ele sofre de dores e tem percebido sangramento na urina. Além disso, diz sentir cansaço excessivo. Bahr foi transferido para hospital Soroka, onde foi informado por médicos de que as graves inflamações são decorrentes do tempo que passou sem tratamento e do avanço dos tumores. Segundo os médicos, o câncer se espalhou por todo o intestino e cólon e a situação do prisioneiros é muito grave.


    Bahr acrescentou que ficou na hospital da prisão Ramla por 7 meses, mas que não recebeu todas as medicações necessárias, apenas o Alkrtzon. Por isso sua saúde ficou em piores condições. A médica da prisão reconheceu que o tratamento químico só poderia ser realizado no Hospital Soroka.


    * O prisioneiro Fawaz Baara (38 anos), morador de Nablus, condenado a quatro condenações de prisão perpétua. Possui tumores no cérebro e pescoço, e sua doença foi descoberta logo após sua prisão. A dor é insuportável e a tendência é que o câncer se espalhe pelo corpo.


    O câncer entre os presos palestinos nas prisões israelenses é considerado uma epidemia, provocada pela negligência médica sistemática e deliberada contra os detentos. No caso de Baara, os dados revelam que a administração prisional recusou seu pedido de receber um médico e realizar os exames necessários, Segundo o preso, mesmo quando tratado com quimioterapia não sente melhora na saúde.